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2800 METROS ACIMA O CÉU

Áustria: Junho de 2007
 
Come nasce uma viagem com Lola?
 
Depois de mais de 40.000 km percorridos de moto, a resposta é bastante simples: vamos até o alto das montanhas onde Lola pode percorrer muitas “curvas e sinuosas” até sentir-se em meio aos bosques e nadar nos lagos e córregos.
 
A essa altura, estamos próximos de completar a meta, podendo alcançá-la com calma e, sobretudo, sem fazer Lola correr riscos inúteis.
 
A decisão está tomada: enquanto em 2006, pelo 4° aniversário de Lola, o presente foi o Passo dello Stelvio  este ano, pelos seus 5 anos de idade, decidimos dar a Lola uma verdadeira e particular “tarefa” para recordar: o ponto mais alto da Europa, podendo alcançá-lo somente  com um veículo motorizado.
 
A meta da viagem de Lola encontra-se em Carinzia na cidade alpina de Soelden  onde, ao término de uma estrada com pedágio, encontram-se duas geleiras: o Rettenbach e o Tieffenbach, cerca de 40 km do Passo del Rombo e a mais de 2.800 metros de altitude.
 
A PREPARAÇÃO PARA A VIAGEM
 
A moto está pronta: revisamos os gráficos e arrumamos um espaço complementar para as coisas de Lola, conseguindo dois espaços impermeáveis posicionados lateralmente e enganchando estavelmente as malas com um sistema rápido de gancho com cinta, inteiramente projetado por nós.
 
O espaço é, para nós, o maior problema a ser enfrentado quando se trata de estar “fora de casa” por uma semana inteira: devemos levar as caixinhas de ração que agradam a Lola, os acessórios para pentear, limpar e secar os pêlos de Lola e também uma caixa de primeiros socorros, pois em primeiro lugar, devemos assegurar a Lola o melhor conforto possível e os cuidados com sua saúde.
 
E mais, desta vez vamos até uma altitude bem alta, onde as variações de temperatura são muito rápidas: portanto, trouxemos conosco o casaquinho de inverno de Lola, impermeável que a protegerá bastante.
 
PARTIMOS!

22 de Junho é a data prevista para a partida para evitar o calor que, para Lola, não é a melhor condição para se viajar.
 
Assim que a moto entrou em movimento, em direção à A14, Lola começa imediatamente o seu longo sono, durante o qual não se lembrará das nuvens escuras por volta de Modena  e que nos acompanharão até a saída de Bolzano Nord mas, se tivermos sorte, não nos criarão sérios problemas.

Só na parte de Rovereto  encontramos uma rápida chuva que não cria nenhum problema a Lola: a bolsa é a prova de água e atrás do grande pára-brisa, não chega nenhuma gota.

Ela continua a dormir e decidimos deixá-la tranqüila: paramos para recarregar as energias somente em Trento, depois de mais de duas horas de viagem. 
 
Na saída de Bolzano Nord, viramos a esquerda em direção ao Valle di Tires, um pequeno vale não freqüentado pelo turismo de massa, onde Lola já é de casa.  
 
O destino é San Cipriano onde em Gasthof Hedelweiss  , Lola está na expectativa de encontrar “Devil”, um mestiço preto de dobermann e cão lobo, com nove anos de idade que chegou na tarde com os seus proprietários, e para Lola ele é um companheiro de brincadeiras de todos os dias.
 
NO MEIO DOS BOSQUES “BRINCANDO DE SER UM CÃO”
 
Lola passa os dois primeiros dias da viagem em companhia de Devil, em meios aos bosques e de Val di Tires onde, segundo a lenda, existem gnomos e elfos, além do mítico Re Laurino. Para Lola e Devil é um autêntico paraíso.
 
Queremos mostrar o "Sentiero delle Leggende" que do Passo Nigra (onde deixamos a moto) conduz (não sem subidas difíceis, mas jamais “devastantes”...) a um estupendo planalto, abaixo de Rosengarten e depois, a Malga Hanicher, onde se pode almoçar em total relax, acariciados pelo vento e com uma esplendida vista dos cumes circundantes.
 
Para Lola, a moto não é somente o “propósito” da viagem, mas ao contrário, representou somente um modo “de ser um cão”, certamente um modo diferente do usual.
 
Agrada-nos saber que Lola não é um cão especial, mas um cão normal que faz coisas especiais, e isto por AMOR à própria família.
 
Os dois dias “brincando de ser um cão” terminaram em um outro lugar que vale a pena ser visitado, mesmo de moto: Cima Uomo, depois de Passo San Pellegrino (para quem vem de Moena  ), com o Refúgio Fuciade como destino.
 
Duas são as possíveis soluções para alcançá-lo.
 
A primeira (escolha de Lola e Devil) consiste em deixar os veículos motorizados perto do Restaurante Belvedere e fazer a pé (não mais que uma hora) uma cômoda e panorâmica estrada florestal.
 
A segunda, com a moto (meio proibido e também desaconselhado.... porque com as motos de estrada podem deixar cair algum pedaço de estrutura ou suspensão...) e por isto devem seguir (de imediato depois o Passo San Pellegrino)  as indicações (a esquerda para quem vem de Moena) para o Refúgio Stella Alpina, percorrendo uma estrada asfaltada só no primeiro trecho e depois, se transforma em terra batida (um pouco difícil só no trecho central... de qualquer modo todo o percurso de faz em primeira marcha...) 
 
 O GRANDE DIA CHEGOU
 
Na manhã do dia 25 de Junho, saudamos o Valle di Tires com um belíssimo sol, mas não estávamos nada tranqüilos: o gestor da Gasthof Hedelweiss nos adverte que “na Internet” as previsões do tempo não são das melhores, pois no fim da tarde estava prevista uma piora no tempo.
 
Não foi uma bela notícia para quem deve subir mais de 2.800 metros com uma “motociclista de quatro patas” sobre o tanque de gasolina da moto.
 
Este pensamento nos acompanhou por toda a viagem até Val Passiria  chegando em Merano   as indicações para nosso destino (Veltina, cerca de 10 km de San Leonardo em Passiria) “estavam escondidas”, pois as placas (as menos evidentes) não se viam de forma alguma, sobretudo no centro de Merano.

Decidimos assim, parar no longo rio onde Lola aprecia a grama do jardim público, e analisamos a  situação: o céu estava azul e o ar estava esquentando: decidimos encarar imediatamente esta empreitada: o grande dia é agora!
 
Pegamos a moto e nos “jogamos” no tráfego (não muito ordenado) do centro de Merano: será que Lola, sentada na sua bolsa, late aos vigias urbanos que ordenam o tráfego, ou para tantos canteiros de estrada abertos ou, simplesmente, a tensão em ter que guiar uma moto que a plena carga e com dois passageiros, supera mais que 300 kg... Não vimos nenhum cartaz, com exceção de um pequeno referimento (enferrujado) para o Passo Giovo... e Veltina é na estrada para Passo Giovo...

Finalmente deixamos o tráfego para trás e entramos na estrada que vai para Val Passiria.
 
Em Val Passiria,  o sol está ainda alto, mesmo se por volta de Passo del Rombo, começamos a ver as primeiras nuvens cinzas e, sobretudo baixas... Não boas, mas de toda forma, tentamos cumprir a tarefa.

Descarregamos as bagagens no hotel  um rápido “pipi” da parte de Lola, recarregamos as energias e..... fomos !! para o Passo del Rombo, a mais de 2.500 metro... mas aquelas nuvens baixas não prometiam nada de “bom”... no limite, chegando em Rombo , se as condições meteorológicas fossem proibitivas, a tentativa seria interrompida de imediato: Lola não deve correr nenhum risco.
 
NUVENS BAIXAS....VOLTAMOS PARA TRÁS....
 
Até 1.800 metros, a situação é quase normal, mesmo se o ar que estava quente no Valle torna-se de repente fresco e úmido, pouco a pouco que se sobe, começamos a dar conta que as nuvens “envolviam” o Passo Del Rombo estavam realmente baixas: a montanha está coberta até a metade superior, onde deveríamos ir.
 
Lola precisou colocar o casaquinho de inverno: tivemos que acordá-la, estava desanimada, olhou as “nuvens baixas” e como se nada fosse, ajeitou-se de novo, apoiou o focinho na cavidade da bolsa e limitou-se a olhar a estrada que sobe.
 
A estrada que chega a uma altura de 2.000 metros começa a ficar “estranha”: acima de nós somente o cinza enquanto no vale, brilha um belo sol!
 
A montanha nos dá um teste: subir ao desconhecido ou voltar em direção ao sol?
 
Aquilo que nunca podemos fazer quando viajamos com Lola é improvisar ou forçar uma situação, somente para satisfazer a nossa exigência humana para chegar à nossa meta.
 
Existem momentos cujas decisões não podem ser baseadas no conceito de que “demorou tanto tempo para esta viagem” ou “chegamos até aqui e não podemos voltar para trás” ou “amanhã poderia estar pior” ou coisas do tipo: encontrar boas motivações só para fazer Lola correr riscos, pois ela não pode escolher!
 
Faz muito frio e pouco a pouco que subíamos, a situação piora sempre mais: estamos superando o limite, mas só existe risco: Lola não pode escolher, devemos escolher por ela!
 
A decisão foi imediata: paramos e retornamos ao Valle onde, pelo menos Lola poderia brincar nos campos sob o sol... paramos a moto em um acostamento e com a moral baixa, lentamente levantamos a moto sobre a guia central.
 
Fizemos Lola descer da moto: parecia entender que o momento não era dos melhores, mas, ao menos, ela diverte-se brincando com uma pedra em meio ao gramado... e abaixo, no Valle, brilha o sol enquanto na estrada não se vê ninguém: só nuvens baixas.
 
Assim que Lola sobe na moto, eis que acontece aquilo que durante a viagem, pode ser definido como “destino” ou simplesmente, sorte: Lola não parece ter vontade de ajeitar-se na sua bolsa nem de ficar sentada, com os óculos e com o capacete, arrumada para a viagem... Nem queria saber também de ficar embaixo, com o focinho farejando o ar, como se tivesse percebido aquilo que estava para acontecer.
 
E o “destino acontece”, bem debaixo dos nossos olhos, sob forma de um motociclista alemão que com uma BMW 850, proveniente de Passo Del Rombo, vê Lola, desacelera, estaciona a moto... Tira o capacete e pede para fazer uma foto com Lola... e lhe pedimos informações das condições meteorológicas sobre Rombo.
 
Não falava inglês e, mas compreendemos que havia “muita neblina” sobre Rombo , mas em Solden estava “demais”... Bastava isso para elevar nossa moral: a grande montanha nos tinha dado um teste e havíamos superado!
 
A “muita neblina” era muito pior: muitos metros antes de chegar ao túnel de Rombo, as nuvens baixas se transformaram em asfalto e vice-versa e a saída do túnel era nada mais que uma abertura na neblina: a visibilidade, mesmo sobre Rombo, não superava os 5/6 metros e mais, fazia muito frio!!
 
Por sorte Lola dorme, envolta no calor de seu casaquinho e não se dá conta que podemos ver só o pequeno muro que delimita a estrada: é uma grande imersão naquele cinza!
 
Sobre o Passo Rombo, a Grande Montanha nos coloca ainda ouro teste: prosseguir na neblina ou voltar para trás seguramente em direção ao sol?
 
Paramos no Refúgio do Passo: no calor se “pensa melhor”. E aqui, eis que o destino nos surpreende de novo: Lola foi notada por um grupo de motociclistas austríacos enquanto descia da moto... pararam para uma foto... e confirmamos que em Soelden estava “demais”!
 
Partimos imediatamente: feito a segunda sinuosa, a neblina, como por encanto, desapareceu: superamos o teste e a grande montanha nos presenteia com um céu azul na direção de Soelden.
 
Depois de pagarmos o pedágio na “Mautstelle” localizada a 2.171 metros (13 euros ida e volta; 11 euros só ida), nos dirigimos à nossa meta.
 
Na entrada da Città di Soelden estava uma enorme placa de cor verde, indicando a “Otztaler Gletscher Strasse” que leva às duas geleiras de Otztaler Arena: a Rettenbach e a Tieffenbach (o primeiro e o mais alto situado a 2.803 metros e o segundo a 2.759 metros).
 
Este é o “lugar que a Cocker cumpriu a tarefa”!
 
A estrada sobre veloz e, depois de 10 km, chegamos a estação de pedágio onde, em “troca” de 8 euros, a barra é levantada... Mas Lola cheirou a água do córrego que escorre pelo lado da estrada... e não queria saber de “estória”: queria dar um mergulho! E logo!
 
A água está gelada (desce diretamente da geleira) e Lola deve contentar-se pelos poucos minutos: é enxugada de imediato e com o especial pano ultra absorvente, feito especialmente para cães, que sempre levamos conosco.
 
O CÉU ESTÁ MUITO PRÓXIMO... MAS A GRANDE MOTANHA VENCEU!
 
A “Otztaler Gletscher Strasse “ é estupenda mas certamente não é fácil, por causa das curvas sinuosas tipo cotovelo e pela ausência do meio fio.

E mais, Lola pensa bem em render-se a coisas ainda mais difíceis, ficando sentada na sua bolsa e com o focinho encostado no pára-brisa: o ar está cheio de perfumes... E “lá em cima” nos aguarda a grande montanha!
 
Percorremos as primeiras construções: um tipo de centro comercial para quem vai esquiar, composto por lojas e restaurantes, antes do qual vimos uma enorme placa: à esquerda, a estrada sobre para a geleira “Tieffenbach” enquanto à direita, sobre para o “Rettenbach”.

E aqui a Grande Montanha faz a sua revanche: o acesso ao túnel que conduz à geleira Tieffenbach, com altura de 2.829 metros, estava fechado!
 
Um desmoronamento causado pela forte chuva do dia anterior fechou a estrada, na qual trabalham escavadeiras e caminhões!
 
Mais uma vez: a grande montanha venceu! Mas o sol brilha alto e o céu está muito, mas muito próximo, quase sobre nossas cabeças: um espetáculo!!
 
Resta a geleira Rettenbach que, lhes asseguramos, é uma maravilha única, quase inesperada: ao lado da geleira há um enorme estacionamento (feito com asfalto e perfeitamente plano), de onde há uma visão de 180º de toda Otztaler Arena.
 
Um lugar único!

E Lola também compreendeu o momento e quis vivê-lo até o fim: não desceu da moto, mas se limitou por cerca de dez longos minutos (e para nós “humanos”, são momentos muito, mas muito intensos...) a admirar o infinito a sua frente... Depois voltou a “ser um cão”, caminhando, correndo, saltando e também, “jogando-se” sobre a crista da geleira: um verdadeiro espetáculo vê-la “dançando”, incluindo “a caça aos corvos”, presentes em grande número... provavelmente “a voz se dispersou” assim que chegou um “cão com quem ela pode passar o tempo”.
 
Para a subida aos 2.800 metros, Lola foi acompanhada das cores e do brasão de armas do Comune di Ravenna que, como ocorreu na ocasião dos recolhimentos de fundos para os animais abandonados, patrocinou “a empreitada” da “motociclista loira”. 
 
A descida ao Valle foi feita com muita muita calma e velocidade reduzida: no fundo, quando se está assim próximo ao céu...não acontece de ter pressa... 
 
A viagem de volta, de Soelden até San Leonardo di Passiria, fizemos com calma e sem a ânsia que nos havia acompanhado na ida: brilha um sol quente e o céu é de uma azul intenso, com alguns pontos de grandes nuvens brancas.                                                               
 
Lola já cumpriu sua “empreitada” e não temos nenhuma pressa de tornar à nossa “base”...
 
UMA NOVA TENTATIVA... NADA PARA FAZER
 
Retornamos para Áustria dois dias depois da “empreitada” (e sobre Rombo brilhava um belíssimo sol, mas estava muito frio) só para verificar se a estrada para a geleira Tieffenbach estivesse aberta... não somente ainda estava fechada mas tinham fechado para trabalhar também a estrada para o Rettenbach!
 
Para nós, foi uma alegria ver Lola que, como se nada fosse, brincada em meio a neve....aos 2.800 metros “sobre o céu”...

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