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DE VOLTA AO PARAÍSO

Áustria – Agosto de 2007
 
Não existe uma segunda primeira vez.
 
Com estas simples palavras, pode-se compreender, provavelmente, o sentido e a importância que se dá às próprias viagens, sejam essas de breve ou longa duração.
 
A moto, sabemos, é uma forma de proporcionar sensações e emoções que nenhum outro meio pode dar, provavelmente porque não é um “instrumento” simples, não do ponto de vista técnico, mas pelo fato de sermos obrigados a considerar, governar e, às vezes, prever muitas variáveis (o clima, as condições das estradas, a presença do passageiro, etc.)
 
UMA NOVA AVENTURA PARA LOLA
 
Aos nossos olhos temos ainda as Grandes Montanhas e as geleiras de Soelden,  na Áustria, que alcançamos com Lola no mês de Junho e, dentro de nós, é ainda muito viva a recordação do interminável “passeio” de Lola sobre a parte mais alta do Geleira Rettenbach  a mais de 2.800 metros de altura (a descrição da viagem está em "2.800 metros sobre o céu”).
 
Agosto é um mês “quase” perfeito para viajar de moto: “quase” porque para quem deve enfrentar as Grandes Montanhas, sabe que o clima pode variar ainda mais depressa que nos meses anteriores.
 
Lola está pronta uma nova aventura em terras austríacas: duas longas semanas com um esplêndido itinerário nas regiões de Carinzia   com “base” no Lago Millstatter na cidade de Millstatt, cerca de 120 km da fronteira italiana de San Candido. 
 
A particularidade do Milstatter See, como tantos lagos da Carinzia, é a total ausência de poluição e, sobretudo, está posicionado bem no meio das famosas “Panoramastrassen” de Carinzia.
 
Uma entre tantas fica no coração e na mente de quem tem a sorte de percorrê-la: a grandiosa Grossglockner Alpen Strasse, somente a cem quilômetros do lago.
 
UM CASTELO PARA LOLA
 
Chegamos à fronteira austríaca de San Candido  em Val Pusteria depois de ter passado dias “passeando” com Lola, nos bosques de Val di Tires que já é considerada nossa base para as viagens às Grandes Montanhas e onde pudemos apreciar  a hospitalidade e a cozinha local.
 
Em curto tempo, chegamos à cidade de Millstat (a principal de toda bacia) onde nos aguarda um hotel que parece um castelo: l´Hotel Parkschlossl, que se encontra em uma antiga vila imperial do início dos anos 900, em meio ao verde e com uma magnífica vista para o lago, a poucos minutos do centro da cidade (um pecado que não tenha garagem coberta para a moto.
 
O Lago Milstatter serve também para os passeios entre os bosques, pois existe um conveniente caminho, que pode ser percorrido também com bicicleta, e liga as duas cidades localizadas nas extremidades do espelho d’água.
 
.. NÃO SOMENTE MOTO..
 
Depois, é possível apreciar também a “comoidade caribenha” como o belíssimo “bar flutuante”  sobre o lago, localizado pouco antes do vilarejo de Millstat, para quem vem de Seeboden.
 
É muito agradável apreciar o por do sol e a noite à luz de velas, comodamente sentados em um sofá de couro claro, localizado sobre plataformas flutuantes: Lola também apreciou a atmosfera ímpar criada pelas chamas e de tantas velas acesas (assim, como em grande parte da Áustria, os cães são bem-vindos)
 
 “A ESTRADA” PARA O PARAÍSO....E “A ESTRADA DO CORAÇÃO”...
 
Depois de um dia de chuva, o sol sempre vem: Lola, neste ponto de vista, sempre nos trouxe boa sorte. Aproveitando o céu completamente sem nuvens, decidimos dar um presente a Lola (e a nós...): “a Estrada”....a Groosglockner Alpen Strasse.
 
Como todo motociclista sabe, cada um traz dentro de si uma “estrada do coração” que nasce em nós não se sabe como, nem por que. Tantas podem ser as estradas que percorremos sozinhos ou acompanhados, mas sempre procurando compreender se “aquela” poderia ser “ela”!
 
Os percursos internos da Alma são muito diferentes e misteriosos de se analisar, mas pode “acontecer”: pode perceber que aquela que está percorrendo seja mesmo “ela”! A sua “estrada do coração”. 

Nós acreditamos que também Lola tenha a sua Estrada do Coração e, certamente, é feita de campos, córregos e cachoeiras.
 
“A Estrada”, porém, é aquela mistura de expectativa, emoção, grandeza e, porque não, “lenda”, tanto que não é uma “coisa da alma”, mas torna-se qualquer coisa de racional e, ao mesmo tempo, paixão e consciência de que coisa se está fazendo.
 
Todas estas sensações foram experimentadas, não nesta viagem, mas em Junho de 2005, quando pela primeira vez com Lola iniciamos a saída de Grossglockner Alpen Strasse  partindo do vilarejo de Heiligenblut, com os olhos que, a medida que subíamos, enchiam de lágrimas de alegria, mas de uma alegria racional e aguardada há tempos....porque Lola estava mesmo ali e estava fazendo uma “grande coisa”! ( o relatório da viagem está em"Na Austria sobre os Altos Alti Monties Tauri")
 
Em Agosto de 2007, Lola voltou lá na “Estrada”, mas ciente que desta vez não seria como há dois anos... não existe jamais uma “segunda primeira vez”....
 
Neste momento a atenção não está voltada para a “coisa” se está fazendo, mas “como” a está fazendo.....neste momento não é somente “chegar” mas viajar, rendendo-se à jornada, da forma mais agradável possível para Lola:  e sendo assim, pausas para passeios e mergulhos nos córregos....depois parar aos 2.577 metros no Edelweisspitze, somente para cumprimentar o gestor do refúgio que, há dois anos, havia preparado para Lola uma enorme porção de cenouras ao vapor (dizem que ele já conhecia Lola).
 
...”BASTA” A PRIMEIRA VEZ....
 
É estranho, mas ao mesmo tempo, legal e um pouco triste, dar-se conta que no momento em que se deve viver pela primeira vez uma intensa emoção, é absolutamente indispensável fazê-lo plena e totalmente... Porque caso contrário, isto é , se “jogar fora” a oportunidade, corre-se o risco de não poder mais reviver uma “segunda primeira vez”.... Talvez “o segredo” seja mesmo aquele de saber “aproveitar cada segundo”.... Da “primeira vez”!
 
Talvez o verdadeiro segredo seja aquele de que a primeira vez “basta” e faze-la da forma que seja a mais perfeita e intensa possível...
 
De tudo isso, em Agosto de 2007, nós estávamos perfeitamente conscientes quando entramos em Heiligenblut, onde as emoções vivenciadas foram totalmente diferentes do que aconteceu dois anos antes...não somente para nós, mas também para Lola.
 
A SEGUNDA VEZ DE LOLA NO PARAÍSO
 
Durante a sua “primeira vez”, Lola viu realmente “A Estrada”, sempre sentada com o focinho para fora, esticando-se de uma parte a outra, latindo de tanta  impaciência.
 
A sua “segunda vez”, ao invés, passou dormindo com o focinho apoiado na cavidade anterior, limitando-se a admirar “A Estrada”.....salvo quando ela desce velozmente nas freqüentes pausas para “brincar de ser um cão”.... Mas isso é outra coisa!
 
Mesmo isso, talvez, tenha sido o sentido da viagem: dar-se conta que, no fundo, não aconteceu de procurarmos sentir as mesmas emoções de 2 anos atrás, mas de qualquer modo, consentir a Lola de “brincar de ser um cão”, sem se preocupar com nada mais.
 
O “MOMENTO” DE LOLA
 
De fato, houve ocasiões onde Lola não ficou sentada... nem mesmo para as nossa fotos... exceto na praça de Edelweisspitze..mas ali ela sabia que estava junto ao “seu momento” de tantas que eram as pessoas que queriam fazer uma foto com a “Cocker Motociclista”
 
De qualquer modo, foi um retorno ao paraíso!

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